Preciso admitir: a escrita da autora é muito boa. Julie Johnson descreve bem as cenas, e a leitura flui com leveza. No entanto, após a página 200, alguns diálogos se tornam arrastados e repetitivos como se a autora estivesse apenas enrolando a trama. Até a chegada dos personagens a Caeldera, tudo funcionava bem. Mas depois
vieram várias cenas envolvendo o Scythe que me deixaram com raiva.
Scythe, apesar de ter menos de 150 anos (o que é jovem para um feérico), age como um adolescente mimado: grita, manda, reclama e desaparece da narrativa quando mais se precisa dele. O erro da autora foi não desenvolver esse personagem de forma adequada, tentando claramente replicar o que vimos em ACOTAR. Uma pena, porque já estamos cansadas dessas inversões forçadas de papéis. E, sim, Julie, você tem talento para entregar algo muito maior do que isso.
Rhya é uma protagonista forte, com garra, e praticamente carrega o livro nas costas. Mesmo jovem, ela se vira sozinha, busca evoluir e não aceita ser subjugada mesmo quando o queridinho do Scythe tenta prendê-la. No entanto, a personagem caiu bastante no meu conceito quando praticamente implorou para ser tocada por ele. Para mim, foi o fim.
A Guilda Flamejante é o círculo de guerreiros de Scythe formado por Jac, Farley, Uther e Mabon e, sinceramente, eles brilharam! Jac é carismático e engraçado, traz leveza às cenas e me ganhou de cara. Também vale destacar o protagonismo de Soren (ainda mais após o final do livro). No começo, eu só queria que a Rhya ficasse longe dele, mas depois de tudo o que ele fez
virei fã. Só que, claro, a autora já conduz o leitor para esse caminho.
Há uma cena totalmente desnecessária envolvendo um parto que me tirou completamente da imersão um clássico encheção de linguiça. Outra coisa que me irritou: o futuro triângulo amoroso. Sério, será que no segundo livro ela vai seguir com isso? Espero que não. E por fim: a autora mata um personagem só pra chocar, sem construir nenhum impacto real. Isso empobrece a narrativa, e pra mim foi um ponto baixo.
E o final?
O desfecho traz uma pequena guerra o que provavelmente será o gancho do próximo volume. Gosto quando há espaço para vingança e tensão futura. Não senti que o final foi apressado, mas faltaram justificativas plausíveis para certos acontecimentos. Por exemplo: Rhya luta o livro inteiro pra dominar o ar
e de repente, com meia dúzia de palavras do Soren, ela salva o mundo? Não me convenceu. "Inimigos" se ajudando do nada. Criaturas surgindo do além. Faltou construção, faltou coerência.
The Wind Weaver não é um livro ruim só exige paciência. Se você estiver com tempo livre e tolerância para personagens rasos e um enredo previsível, pode ser uma leitura interessante. Algumas cenas de aventura são muito boas (destaque para a da ponte e da centopeia!). Só não vá esperando o novo ACOTAR, porque vai se decepcionar.
Espero que leia e tire suas próprias conclusões!
Até mais!