Jack Peter é um garoto de 10 anos com Síndrome de Asperger, um tipo de autismo que afeta a capacidade de se socializar e de se comunicar com eficiência. Três anos atrás ele e seu amigo Nick sofreram um "acidente" no mar e quase se afogaram, e desde então o menino se tornou mais fechado e recluso. Desenvolveu uma agorafobia aguda, não sai de casa a não ser que seja extremamente necessário, e nessas situações, conseguir trazê-lo para fora de casa é um grande sacrifício.
A distração de Jack são seus jogos, que às vezes se tornam uma verdadeira obsessão. Por um tempo são jogos de tabuleiro, depois batalhas e guerras com bonecos, e enquanto Jack não enjoa, ele e Nick passam seu tempo juntos dessa maneira. Nick é o único “amigo” de Jack, e por isso faz o possível para se dar bem com o garoto, mas nem sempre sua paciência ou compreensão são as melhores...
A mais nova distração de Jack é desenhar monstros, e enquanto Nick se inspira nos clássicos dos filmes, Jack traz coisas absurdas direto da sua imaginação. É uma situação como todas as outras já vividas pela família, até que, afetados ou não pelos desenhos, as pessoas a volta de Jack começam a ver e ouvir coisas estranhas e inimagináveis... Seria alucinação, imaginação, ou algo mais? O medo faz várias lembranças e segredos virem a tona, as pessoas começam a revelar o que jamais esperavam, e aos poucos vamos percebendo que os verdadeiros monstros podem estar escondidos dentro de nós.
Essa foi uma resenha difícil de fazer, porque foi um livro difícil de ler. Sabe quando você não consegue se conectar de verdade com os personagens, e não consegue definir se está gostando ou não da história? Foi a minha sensação durante toda a leitura. Nos últimos capítulos consegui me entender com a história, desejar um final grandioso, e quando esse veio, foi um pouco, decepcionante.
Ao logo da história, vamos conhecendo Jack, sua família e os amigos próximos. O autismo de Jack o torna um pouco antissocial, em alguns momentos ele conversa, interage, mas em outros ele “desliga”, e se torna completamente alheio ao que acontece a sua volta. Seus pais tentam lidar com a situação de formas diferentes, enquanto o pai acredita que a condição de Jack é só uma fase, vai melhorar, e que ele pode exigir mais do garoto, a mãe tem suas ressalvas, acredita que Jack precisa de ajuda profissional, e as vezes chega a ter medo dele (e o fato de ele tê-la agredido em um dos seus ataques não ajuda muito). Ela as vezes questiona seus sentimentos pelo menino, e isso a faz se sentir tão culpada, e que ela começa a procurar ajuda na igreja.
A medida que todos na casa começam a ver e ouvir coisas, os nervos vão ficando a flor da pele e a realidade e imaginação começam a se misturar. Jack afirma o tempo todo que os monstros estão rondando a casa, e mesmo não tendo explicações para as situações estranhas, ninguém dá ouvidos ao garoto, até que Nick começa a perceber que Jack desenhou alguns dos monstros e situações que o assustaram, mesmo que não as tenha visto, e começa a perceber que o papel de Jack nessa história pode ser muito maior do que todos imaginam...
O final da história foi confuso, bem corrido, e na minha opinião, podia ser melhor. O livro seguiu toda uma linha de raciocínio ao longo da narrativa, e no final, muda para o oposto de uma forma não muito satisfatória. Eu me surpreendi, isso é um fato, eu não esperava por algumas revelações, mas ainda assim, elas não foram suficientes para me fazer gostar da conclusão da história.
Dentre todos os personagens, os que mais gostei foram Jack e sua mãe. Todos ali tem defeitos, escondem seus “pecados”, mas pra mim, os dois são os mais reais, Jack por não esconder suas imperfeições, e a sua mãe por seu defeito ser algo completamente humano, e pela forma como ela tenta lidar com ele, achar uma solução. Todos os outros são bem hipócritas na minha opinião, e não consegui gostar de mais ninguém.
A edição da Darkside está linda como sempre, e no final do livro tem algumas páginas em branco para que você possa desenhar os seus monstros.