Olá pessoal, tudo bem com vocês? Motivada pela vontade de ler algo fora da minha zona de conforto, solicitei entre os lançamentos da Editora Arqueiro o livro Mestre das Chamas, um thriller bem promissor, com uma premissa que chamou muito a minha atenção: “pessoas entrando em combustão espontânea? Como assim?”. A leitura demorou mais do que eu esperava, em alguns momentos foi um pouco arrastada (o livro tem 592 páginas, era de se esperar um pouquinho disso...), mas no fim, posso dizer que gostei do livro, e com certeza lerei mais títulos do autor.
Em Mestre das Chamas conhecemos Harper Grayson, uma enfermeira apaixonada pela profissão, que vive um momento complicado da história. Há um novo vírus contaminando as pessoas, tudo começa com manchas pretas surgindo pelo corpo, e termina com o portador entrando em combustão espontânea. Ninguém sabe sua origem, forma de contaminação ou cura, e à medida que os casos de infectados aumentam cada vez mais, o caos começa a se instaurar pelo mundo.
Movida pela necessidade de ajudar, Harper vai trabalhar em um hospital onde tem contato com muitos infectados, mas após um acidente em que o hospital pega fogo, Harper passa a ficar em casa, com o marido Jacob. Após algum tempo, Harper descobre duas coisas muito importantes, a primeira, é que está infectada com a Escama do Dragão (nome popular dado ao vírus), e a segunda, que está grávida. Jacob não aceita a doença da esposa, e quer a todo custo forçar Harper a se matar, ou a deixa-lo matá-la, pois acha inconcebível que a esposa corra o risco de infectar outras pessoas, inclusive a ele. Harper acredita que o bebê pode nascer sem o esporo, e por isso resolve lutar pela sua vida até a chegada do bebê. Os dois brigam, e Jacob passa de “marido amoroso” para psicopata violento, o que obriga Harper a fugir e procurar por ajuda.
Paralelo a isso conhecemos o “bombeiro”, um homem que aprendeu a controlar a essência do esporo, e consegue usá-lo a seu favor, seja projetando fogo em partes do corpo, ou criando distrações para ajudar pessoas contaminadas... Seu nome verdadeiro é Jhon Rockwood, mas é conhecido por “bombeiro” por andar pela cidade vestido como um. Com o medo da contaminação, vários "bondes de cremação" começam a surgir, formados por pessoas que acreditam que a melhor forma de lutar contra o esporo é matando os portadores. O "bombeiro" luta contra esse tipo de atitude, e ajuda pessoas contaminadas a fugirem e acharem um lugar para se esconder.
Jhon ajuda Harper a fugir do seu marido e a leva para um acampamento de refugiados, que apesar de não saberem controlar as chamas como Jhon, desenvolveram uma técnica para “acalmá-la”, e não entrar em combustão, com isso, vivem em harmonia... Harper acha que finalmente encontrou um lugar seguro para ter o seu bebê, mas aos poucos vai percebendo que as coisas na colônia não são o mar de rosas que aparentam ser, e pode ser que lá, tanto quanto no “mundo exterior”, ela tenha que lutar pela própria vida.
A partir daí muitas coisas acontecem, Harper passa por situações inimagináveis, faz amigos e inimigos, e descobre uma força que ela mesma não imaginava que tinha. Apesar de ser uma pessoa bem passiva, chega um ponto em que ela resolver botar as “asinhas” de fora, e é aí que seu problemas se multiplicam, mas é também quando ela descobre quem realmente está do seu lado, e por quem realmente vale a pena lutar.
Como disse anteriormente, escolhi ler Mestre Das Chamas porque estava precisando sair da minha zona de conforto, e uma história inovadora, com pessoas entrando em combustão em era pós-apocalíptica, me chamou muito a atenção. Posso dizer que Mestre das Chamas cumpriu o seu papel, mas não me agradou tanto quanto eu esperei que fosse acontecer... O enredo é muito bom, e Joe Hill foi bem detalhista em alguns aspectos, o que contribuiu para que entendêssemos melhor a situação vivida pelos personagens. No entanto, o excesso de detalhes algumas vezes tornou a narrativa um pouco cansativa.
Quanto aos personagens, posso dizer que gostei muito de todos eles. No início tive um ódio mortal da Harper! Ela era extremamente submissa, passiva, não enxergava o quanto o seu marido era uma pessoa detestável, e toda a falta de atitude dela estava me irritando profundamente. Quando ela finalmente resolveu reagir eu dei pulos de alegria, e aí sim comecei a me envolver mais com a história. Harper evoluiu bastante durante a narrativa, e apesar de ainda ter algumas atitudes “inocentes”, ela aprendeu a mostrar a sua voz e lutar pelo que queria.
Jacob, o (ex) marido da Harper, é um dos personagens mais detestáveis que eu já li em toda a minha vida! Machista, preconceituoso, violento, cínico, cheio de si, só aparecia na história para deixar tudo pior. Confesso que ansiei por sua morte a cada aparição dele na história, e ainda achei pouco o fim que ele teve.
Quanto ao Jhon, o bombeiro, confesso que esperava um pouco mais dele... A sinopse dá a entender que ele será o grande salvador da Harper e de toda a história, mas ele é apenas mais um dos personagens secundários, com o diferencial de saber controlar as chamas e usá-las a seu favor. Ainda assim, ele é carismático, conseguiu me conquistar, só não teve o final que eu esperava...
Ainda há muitos outros personagens interessantes no livro (uma colônia cheia deles) mas se eu for citar cada um, essa resenha não vai ter fim! Posso dizer apenas que Joe Hill soube criar uma comunidade com as mais diversas personalidades, mostrando exatamente como é a natureza humana, e tudo o que estamos dispostos a fazer quando as regras e a moralidade parecem não mais existir. Quando o desespero toma conta e temos que lutar pela própria vida, muitos deixam seus instintos agirem, e é aqui que conhecemos o verdadeiro eu de cada um.
Não posso contar muito para deixar vocês curiosos, mas devo dizer que o final foi diferente de tudo o que eu esperava! Fui surpreendida positivamente em alguns pontos, negativamente em outros, e terminei a leitura com aquele gostinho de quero mais... Joe Hill soube amarrar bem todas as pontas, e quanto a isso não tenho do que reclamar, mas acho que alguns personagens mereciam um final melhor... É a vida né?
Acredito que os fãs de Caixa de Pássaros (assim como eu