Iniciamos a história de As Tumbas de Atuan conhecendo Arha, uma menina que teve seu destino traçado no dia que nasceu. Arha pertence a uma comunidade que venera os “Inominados”, deuses das trevas e da escuridão e segundo os crentes e adoradores desses Deuses, toda vez que a suma sacerdotisa morre, ela renasce em uma criança nascida no mesmo dia. Essa criança deve ser levada ao Templo dos Inominados, e instruída em todas as artes necessárias para ser a Primeira Sacerdotisa, honrar e proteger o Templo, e guardar as Tumbas de Atuan.
As Tumbas de Atuan são túneis cavados abaixo da templo, sem nenhuma iluminação, por onde a sacerdotisa deve se guiar sem nenhuma luz. Alguns túneis levam a grandes tesouros, outros, apenas a morte, e qualquer pessoa não autorizada pelos Deuses a entrar ali, pode ter um fim terrível. Além dos túneis, as tumbas contém um grande labirinto, que apesar de instigar muito a curiosidade de Arha, ela não se aventura a entrar até se sentir pronta. No labirinto é permitida a entrada apenas da Sacerdotisa, e qualquer outro que tente adentra o mesmo terá uma morte certa.
Tudo corria bem na vida monótona de Arha, até que um dia ela encontra um intruso em seu labirinto. Um mago, com certeza, que veio roubar os tesouros que ela guarda! De início, Arha imagina todas as mortes possíveis que o feiticeiro pode ter, mas aos poucos a curiosidade toma conta, e com a desculpa de que “ele vai morrer mesmo”, Arha começa a ter contato com seu prisioneiro, e questionar o mundo de onde ele veio e as coisas que conheceu, e esse contato planta as raízes da dúvida em Arha: ela está mesmo do lado certo da história? As Tumbas são realmente tudo que ela tem a conhecer? Será que existe algo mais pra ela, fora do Palácio dos Inominados? Ou será que tudo que ela conheceu e acreditou a vida toda, não passaram de mentiras?
As Tumbas de Atuan é um livro curtinho, são 160 páginas (Até menos que isso na verdade), mas mesmo assim carrega uma história fascinante. Apesar de O Ciclo Terramar girar em torno de Ged e suas “aventuras”, a protagonista da história é Arha (na verdade, Tenar) e Ged é apenas um coadjuvante na evolução da menina.
Tenar é uma garota completamente alienada pelo culto do qual faz parte. Toda a sua vida foi guiada em prol dos Deuses Inominados, não conhece nenhuma verdade que não seja a deles, nenhum mundo que não seja aquele. Ela carrega um poder sombrio que pouco compreende, e o fardo de não ter ou conhecer nada, a não ser a vida que sempre teve. Quando conhece Ged e suas histórias, Tenar começa a se perguntar se podia existir algo mais para ela. Resolve escrever a própria história, e apesar do medo do desconhecido, está disposta a correr atrás de uma vida melhor.
Nesse volume temos um Ged mais maduro e sábio. Ele aceita o destino que Tenar julgar para ele, mas o tempo todo quer o melhor para a menina. Seu objetivo nas Tumbas foi claro, e acho que uma introdução para algo bem maior que está por vir.
"- Fazer surgir um jantar - completou Ged. - Ah, eu poderia. Em pratos de ouro, se quiser. Mas seria só uma ilusão e, quando a pessoa come ilusões, acaba com mais fome do que antes. É tão nutritivo quanto comer as próprias palavras."
O Ciclo Terramar é uma das melhores séries de fantasia que eu já li, pela sua profundidade e lições. Os personagens são bem escritos, a história rica em detalhes! Recomendo para todos os fãs do gênero!