Amor, Teoricamente foi meu primeiro contato com a escrita da autora Ali Hazelwood. Confesso que estava evitando o hype dos livros dela, principalmente "Hipótese do Amor", mas me arrependo de não ter começado a ler seus livros antes. Escolhi começar com "Amor, Teoricamente" sem pretensão, pois o e-book estava relativamente barato, então comprei e comecei a ler.
Este "enemies to lovers" é um dos melhores que já li. Nossa protagonista, Elsie Hannaway, é uma física incrível, mas se encontra em uma situação financeira drástica. Seu tratamento médico não é barato, por isso, ela divide um apartamento cheio de aranhas com sua única amiga e com uma ouriça (isso mesmo que você leu), pois esse imóvel é o único que seu salário de professora pode pagar.
Ao longo de sua vida, Elsie percebeu que só conseguia se encaixar na sociedade dando às pessoas aquilo que elas querem e esperam. Com isso, ela muda sua personalidade dependendo da pessoa com quem interage, e esse seu talento a ajuda em seu segundo emprego em um app de relacionamento falso. Pois é, tadinha. Por isso, ela precisa muito passar na entrevista de emprego, mas isso dependerá de um físico que está na banca de avaliação.
Tudo começa a dar errado quando seu cliente favorito do app é irmão do cara mais insuportável no mundo da física, Jack Smith. Jack não é um personagem convencional; ele tem uma personalidade muito diferente dos outros mocinhos que li, e gostei bastante dele. Acho que ele não chega a ser arrogante, mas também não é bonzinho, sei lá, não sei explicar, rsrsrs. Jack é bem direto com a Elsie e, todo momento em que os dois estão juntos, ou você ri ou sente ódio, é uma mistura de sentimentos muito agradáveis.
Embora os problemas da Elsie sejam preocupantes, a relação familiar do Jack entristece o coração. Uma frase bonita que li nesse livro (e esqueci de marcar a posição) fala que a família não necessariamente é composta por aqueles do seu sangue, mas sim, por aqueles que você escolhe. Ai, cara, meu coração doeu.
O romance é desenvolvido gradativamente, mas, quando chegou aos 85% do livro, achei que a autora deu uma corrida na história para finalizar. Era só ter aumentado o número de páginas, Sra. Ali, eu não ligo, pois quando o livro acabou eu só queria reviver a história de novo.
Sou da área de humanas e sociais, então o único problema que achei nesse livro foram as referências do mundo da física que eu não entendia nada, me sentia muito burra. Alguns trocadilhos eu tive que jogar no Google para entender e entrar na onda da história, mas isso não tira os pontos positivos do enredo.
Outra coisinha que me incomodou foram as ruminações da Elsie. O livro é narrado em primeira pessoa, somente do ponto de vista dela, e ela pensa muitas coisas aleatórias durante as cenas, o que me cansou um pouco. Acho que os capítulos deveriam ser intercalados entre ela e Jack para equilibrar um pouco. Novamente, nada disso tira o brilho do livro.
Quem já esteve na universidade ou em busca de emprego no meio acadêmico sabe que a problemática que a autora trouxe neste livro é muito verídica. Por muitas vezes, concorrentes a vagas já estão destinadas a uma pessoa específica, o que é muito injusto! Na área da Biblioteconomia é a mesma coisa: indicações e contatos sempre garantem a vaga, enquanto perdemos nosso tempo em processos seletivos que não vão dar em nada. O meio acadêmico é, por muitas vezes, muito hostil.
Outro assunto abordado aqui é a manipulação. Há um vilão camuflado nesse livro. No início, eu já desconfiava, mas, no decorrer da leitura, percebi o que estava rolando e não gostei nem um pouco, que raiva! Não posso culpar a Elsie por confiar nas pessoas; infelizmente, existe muita gente assim na vida real.
Favoritei este livro e quero relê-lo o mais breve possível. Da próxima vez, em formato físico, pois preciso tê-lo em minha estante.